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Controle de cigarrinha das pastagens

03/03/2009


As cigarrinhas que atacam as pastagens tropicais têm se tornado uma preocupação, cada vez maior, entre os pecuaristas. Estes insetos podem ser divididos em dois grandes grupos: a cigarrinha-das-pastagens representada, principalmente, pela Deois flavopicta e a Zulia entreriana e a cigarrinha-das-raízes, representada pela Mahanarva spp. Porém, atualmente, todas elas atacam pastagem e cana-de-açúcar.

A ocorrência dessas cigarrinhas se dá no início da época chuvosa, onde as condições são ideais para sua eclosão. O ciclo de vida das cigarrinhas pode variar de acordo com cada espécie, porém dura em média 53 dias, onde as fases são: 15 dias no ovo, 35 dias na fase de ninfa e 3 dias para acasalamento e ovoposição, sendo que a longevidade dos adultos pode chegar a 10 dias.

Os insetos adultos causam os maiores danos para a planta, por injetarem toxinas nas folhas ao se alimentarem da seiva das plantas. Esta toxina pode afetar a planta de dois modos: coagulando entre os tecidos da planta e atrapalhando o transporte de seiva ou se espalhando pela folha causando a morte dos tecidos. Em ambos os casos, a folha começa a necrosar a partir das pontas, se espalhando por toda a área e, posteriormente, ocorre o enrolamento das folhas. A ninfa, que se estabelece na parte basal da planta, causa danos pouco expressivos, exceto no caso da Mahanarva spp. cuja ninfa é mais agressiva e causa danos ao se alimentar, principalmente, através do xilema, reduzindo o aporte de água e nutrientes para a planta.

O controle utilizando forrageiras resistentes é indicado como medida preventiva ao ataque de cigarrinhas. Dentro deste grupo de plantas, estão as plantas tolerantes que sofrem menos dano, sobre um ataque de cigarrinhas, como por exemplo, a Brachiaria humidícola. Porém, esta pode ser prejudicada se houver algum outro fator, contribuindo para o baixo desenvolvimento da planta. Outro grupo é das plantas resistentes, que possuem mecanismo de antibiose, ainda com modo de ação desconhecido. Este mecanismo faz com que o inseto não sobreviva ou tenha seu desenvolvimento afetado ao se alimentar da planta. O maior exemplo desse grupo é a Brachiaria brizantha.

Na região Centro-Norte do Brasil a B. brizantha tem sido muito plantada justamente devido ao ataque de cigarrinhas nas forrageiras existentes e, já existem relatos de espécies de B. brizantha cv. Marandu que são resistentes a Mahanarva spp.. A população de cigarrinhas prejudicadas pela B. brizantha está reduzindo, enquanto que a de Mahanarva aumentado sem competição. Aumentando, assim, os danos do ataque. Além deste possível descontrole populacional das cigarrinhas, a B. brizantha possui grande capacidade de produção de forragem, e essa grande produção se mal manejada, acaba produzindo grande quantidade de material senescente na superfície do solo, formando um microclima ideal para o desenvolvimento das ninfas. Alguns trabalhos já relacionaram lotação da pastagem (UA/ha) ao nível de infestação de ninfas, como mostra a tabela 1.

Além das medidas de controle preventivas, também pode ser feito o uso de produtos químicos na área infestada, sendo necessária a retirada dos animais por um tempo pré-determinado pelo fabricante. Dentre os inseticidas registrados para uso em pastagem o Thiamethoxam é o mais indicado, apresentando eficiência de controle de aproximadamente 94% de ninfas e 98% de controle dos insetos adultos (Congio, 2007). Este produto é transportado, com baixa eficiência, dentro da planta principalmente pelo xilema, atingindo tanto as ninfas quanto os insetos adultos. Outra vantagem é o efeito residual do inseticida, resíduo encontrado nas folhas, colmos e raízes, que permanece exercendo controle até aproximadamente 60 dias após a aplicação. O grande problema no uso de inseticida está relacionado à sua baixa translocação, no interior da planta, sendo então necessária sua aplicação na parte basal da planta, o que fica comprometido pelo “efeito guarda-chuva” causado pela pastagem.

O uso do controle biológico por meio do fungo Metarhizium anisopliae é o recurso mais utilizado por produtores que se encontram em situação de ataque de cigarrinhas, levados pela promessa de permanência do fungo na área, fazendo o controle dos insetos de forma integral. Porém, o que se vê é um controle muito discutido, pois apresenta resultados controversos. A dose encontrada que poderá atingir até 60% de controle das cigarrinhas, é de 5,0 x 1012 a 1,0 x 1013conídeos/ha (Dinardo-Miranda, 2003). Para alcançar um bom controle as amostragens de campo devem começar logo no início das chuvas, utilizando um quadrado de ferro de 50 x 50 cm, jogando-o 4 vezes para achar a quantidade de ninfas/m2. O nível de dano econômico causado pela cigarrinha está em torno de 10 ninfas/m2, e o nível de controle, ponto em que o produtor deverá aplicar o fungo na área, é de 2,5 a 5 ninfas/m2.

Os custos relacionados ao controle de cigarrinhas, comparando os preços dos produtos e a eficiência de controle de cada um, estão relacionados nas tabelas 2 e 3.

A divergência de resultados pode se dar pela diversidade de gêneros de cigarrinhas existentes tratadas ainda como grupos homogêneos, além da qualidade do produto aplicado e da capacidade da fazenda de fazer uma boa aplicação na área atacada. Além da utilização do fungo, novos inimigos naturais da cigarrinha estão sendo estudados, porém ainda não tiveram sua eficácia comprovada e não se encontram disponíveis no comércio para utilização. Dentre estes novos inimigos, estão a vespa Anagrus urichi, que parasita os ovos da cigarrinha, a mosca Salpingogaster nigra que parasita a ninfa e o Porasilos barbrellinii, predador das cigarrinhas adultas.

Por fim, o controle das cigarrinhas das pastagens deve ser encarado pelos produtores como uma prática essencial dentro da propriedade, a fim de evitar um aumento descontrolado dessa praga, o que resultará em redução da produção de forragem, além de acelerar o quadro de degradação das pastagens e, consequentemente, menor produção animal por área e redução da lucratividade da fazenda.

Bibliografia:
-CONGIO, S.F.G. Avaliação da eficiência de diferentes doses de Thiamethoxam no controle de cigarrinhas do gênero Mahanarva em pastagens de Brachiaria brizantha cv. Marandu. Simpósio Nacional de Iniciação Científica, Piracicaba, 2007.
-DINARDO-MIRANDA, L.L., Cigarrinha-das-raízes em cana-de-açúcar. Campinas, 2003.
MENDONÇA, F. A., Cigarrinhas da cana-de-açúcar. Maceió, 2005.
-GARCIA, J.F., Bioecologia e manejo da cigarrinha-das-raízes, Mahanarva fimbriolata (Stal),1851) (Hemmiptera:Cercopidae), em cana-de-açúcar. Piracicaba, 2006.

Augusto C. P. Ferraz Junior, graduando em Engenharia Agronômica ESALQ-USP e estagiário da Boviplan.
Andrea Brasil Vieira José, Engenheira Agrônoma, ESALQ-USP, Coordenadora de Projetos Boviplan Consultoria.







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